Página inicial
Pesquise
BIBLIOTECA VIRTUAL
Tamanho da fonte: | |
Imprimir  |  E-mail  |  RSS
PROTESTO PASSE LIVRE
Dez considerações sobre as manifestações

As manifestações são contra o aumento. Essa é a demanda imediata. E, de modo mais geral, refletem sobre o direito à cidade e à mobilidade

por Débora Prado

(Sinalização na Marginal Pinheiros durante 5° Ato contra o aumento das passagens. Foto: Bia Pasqualino)

1 – As manifestações são contra o aumento. Essa é a demanda imediata. E, de modo mais geral, refletem sobre o direito à cidade e à mobilidade. É contra o AUMENTO.

2 – A tática da grande mídia e dos setores de direita mudou. Antes era atacar e deslegitimar todo tipo de manifestação ou ato de reivindicação, como já foi feito inúmeras vezes em greves, ocupações do MST ou movimentos de moradia. Dessa vez, a pecha de “vândalos” e “baderneiros” não colou. A tática agora é descaracterizar.

3 – Na linha da descaracterização, Jabor, Pondé, Veja e sentinelas da despolitização de plantão querem dizer que as manifestações são por um sentimento geral de insatisfação, contra a corrupção, contra a criminalidade. Nem seria de todo mal debater esses temas, se não fosse de forma completamente distorcida. Afinal, esses setores costumam falar em corrupção sem debater que ela acontece via PPP (ou tem gente que acha que Eike Batista e afins nunca pagaram propina ou corromperam pra crescer seus polpudos lucros?), sem citar reforma política e com ojeriza a temas essenciais como o financiamento público de campanha. Se os políticos se vendem, alguém compra.

Da mesma maneira, falam da criminalidade sem mencionar as estruturas que mantém a desigualdade social, econômica e espacial. Que alimentam a insegurança pública generalizada. E fingem ainda não participar dessas estruturas. Normalmente, apoiam medidas como Rota na rua como se isso fosse resposta à criminalidade – e sim, a mesma rota que deu o show de horrores na quinta-feira, que fez o massacre no Pinheirinho há pouco mais de um ano e que há muito criminaliza a pobreza a os movimentos sociais, seguindo o comando do Senhor Geraldo Alckmin de botar pra quebrar contra os baderneiros.

4 – A ideia é dizer que as manifestações reivindicam tudo, pra tudo virar nada e, mais uma vez, eles reforçarem o mito de que nada muda no circo do Brasil. Bom, parece que não é bem assim e isso que assusta tanto. Em poucos dias, nós vimos que os atos pela redução da tarifa conseguiram mudar: 1) o discurso da mídia e desses senhores; 2) a posição do governador e do prefeito; 3) a postura da PM; 4) a cabeça de muita gente que sempre foi contra manifestações. Parece-me que com mobilização e politização as coisas – sim – mudam.

Não deu certo desmobilizar, nem com campanha contra na mídia, nem com bomba de gás, nem com cavalaria e bala de borracha. E sinto dizer: despolitizar também não vai dar.

5 – Em tempo, vale lembrar: Jabor, Pondé, Reinaldo Azevedo e similares são imbecis que se levam a sério demais, simples assim.

6 – Sobre a mídia: A postura da Folha da Ditabranda foi bem representativa. Primeiro fez um editorial apoiando a PM barbarizar. Depois, quando sua própria jornalista (e toda solidariedade a esta profissional) provou do veneno disseminado pelo jornalão, lamentou a falta de discernimento. Resumindo: a mídia não é contra o abuso policial, ela foi contra o erro da PM ao destinar esse abuso aos seus “aliados”. Fosse trabalhador sem terra ou família despejada que tivesse levado bala de borracha no olho, estaria tudo bem.

E já que sou da categoria, bom o destaque de @marina pita: dono do jornal é diferente das pessoas que tentam fazer um bom trabalho no dia a dia, APESAR da orientação editorial do seu veículo, das demissões em massa dos jornalistas e da precarização da profissão.

7 – Ainda sobre a mídia, o episódio dos coletes daria um bom debate sobre liberdade de imprensa X liberdade de expressão. Quer dizer que manifestante se expressando pode sofrer agressão e violência do Estado, mas jornalista a trabalho não? Não seria o certo não existir violência do Estado contra a população e os profissionais de mídia poderem trabalhar sem medo em manifestações?

Mas, pra ser mais precisa, o primeiro debate seria sobre privilégios das empresas X liberdade de imprensa X liberdade de expressão, porque a proposta era diferenciar as grandes empresas donas da mídia de todos os demais meios de comunicação. Haja visto que os jornalistas da Folha e R7 detidos foram liberados muito mais rapidamente que nosso amigo Pedro Nogueira, que cobria o ato para o portal Aprendiz.

8 – Tudo bem que houvesse gente pela primeira vez na manifestação. Gente que se considera ou que alguém considera ou que é mesmo ‘despolitizada’. Gente que sempre criticou atos parecidos. Gente da ‘elite’ (uso a aspa porque gente da elite mesmo pra mim é o Thor Batista). Antes tarde do que nunca. Antes na rua que em casa vendo o Jabor.

Se essa experiência fizer a pessoa pensar antes de criticar a próxima passeata, manifestação, ocupação e formas diversas de lutas por necessárias transformações sociais, já tá valendo. Se usar essa experiência pra ver a mídia e o poder de uma forma mais crítica vai ser uma mudança muito positiva. Se esse for o começo de um processo de reflexão e politização, lindo. Se um setor da classe média perceber que tá muito mais próxima do povo que das elites quando as políticas públicas falham e atendem os interesses de uns poucos grupos (vide má qualidade da saúde, transporte e educação), excelente. Se caírem as assinaturas da Veja, é um sucesso absoluto.

9 – Acho que toda generalização é burra. Partidos que querem tirar proveito eleitoral de manifestações populares estão errados e devem ser repelidos. Partidos que constroem trabalho social no dia a dia, que apóiam de verdade e desde o começo atos e manifestações e pessoas que apostam no partido como ferramenta de luta por transformações são necessárias. Atacar essas pessoas é dar força pro primeiro modelo de partido – o oportunista.

E, embora seja triste ver a grande parcela de responsabilidade do PT, que mudou muito da Erundina (que poderia ser nossa vice não fosse o aperto de mão com o Maluf) pro Haddad, não podemos nos esquecer que a grande crítica ao PT é feita justamente quando ele passa a se assemelhar ao PSDB. E que temos o PSDB há décadas no governo do Estado. E que o Sr. Geraldo Alckmim promoveu grande privatização da saúde, da educação e colocou sua polícia pra fazer muitos e muitos massacres.

10 – Por último, mas não menos importante: apesar de tudo isso ter sido debatido, é importante lembrar: OS ATOS SÃO CONTRA O AUMENTO. CONTRA O AUMENTO.

Débora Prado

Jornalista


Foto: Bia Pasqualino

18 de Junho de 2013
Palavras chave: Passe livre, protestos, São Paulo, política, partidos, manifestação, jovens, redução da tarifa, PT, Haddad, Alckmin, mídia, direita, esquerda, mobilização, cidade, direito, mobilidade, discurso, imprensa, jornalismo, manipulação, ideologia
Compartilhe:
     | More
 
comentários
42 comentários

22/06/2013 - 02:03hs - Andre
O texto e interessante, gostei do que falou da mídia, mais vc e muito petista! A Veja e uma ótima revista, contra o Geraldo E o Psdb poderia ser melhor, mais como vc nao conhece o Brasil, nao sabe a disparidade entre Sao Paulo e qualquer outro estado do Brasil. A população e pobre em todo território nacional, Sao Paulo e um outro pais, grandes universidades estaduais ( as 3 melhores do pais), vc nao sabe o que fala! O interior de Sao Paulo e onde se concentra a maior parte do piB brasileiro! O pior e câncer do Brasil chama se PT e todo os seus núcleos de bandidos como MST, como todos os sindicatos, sindicatos Sao órgãos ultrapassados, corruptos, que nao querem saber do trabalhador na verdade! O que falar dos mensaleiros? Ainda soltos? Collor em Brasília? Renan Calheiros? Sarney? Dilma? Você só pode estar de brincadeira ver essa zona de ministros e deputados ganhando o que ganham, sendo contra a escolha da vida sexual das pessoas, que pec o caralho, seus fdp de Brasília do caralho, fez qualquer coisa errada Com o dinheiro publico deveria ser crime ediondo! Mais parece que todo mundo que esta nessa merda e corrupto e tem medo de ser verdadeiro, humilde e correto! Resumindo, esses caras Sao as piores pessoas para gerir nosso pais!
21/06/2013 - 14:37hs - Reginaldo
Sim. Contra o aumento, mais segundo próprio líder paulista do movimento passe livre, acabou tomando uma proporção muito maior. Na verdade o povo só estava esperando uma oportunidade de gritar contra todo esse caos. Corrupção, saúde, educação e transporte são os principais temas. Imprensa agora é só fazer a parte que lhes cabem: promover os debates com imparcialidade. Simples assim.
21/06/2013 - 13:54hs - noemi pontes
É! Contra o aumento, inclusive da cara-de-pau de alguns como o sr. ronaldo que em entrevista teve a desfaçatez de dizer que copa não se faz com hospital! Ele que, com toda certeza, não faz uso dos nossos precários e esquecidos hospitais.
20/06/2013 - 18:24hs - Anne
Ao leitor Fabricio Machado: Foi péssimo dizer que a opinião da jornalista é limitado pela idade dela...e dizer que por ter mais de 40 está passada...Vou defini-lo agora pelo seu comentário: garotão, bebedor de Todinho, morando com os pais e estudando para concurso..Qual é né?Melhore os argumentos de suas teses.
20/06/2013 - 15:54hs - Gustavo Nassar
Tirando o ESPECISMO (preconceito de espécie) no termo BURRO, e o duvidoso ítem 10, muito bom o texto...
20/06/2013 - 10:49hs - Diego Marmentini
Somente as águas paradas que apodrecem. Só nas famílias onde parece viver a calmaria costumam surgir as maiores tragédias. É melhor gritar do que agüentar a raiva, dizem os psicólogos. (Juan Arias - El País). Um gesto, vale mais que mil discursos. (Gandhi)
20/06/2013 - 10:31hs - Alexandre
10 – Por último, mas não menos importante: apesar de tudo isso ter sido debatido, é importante lembrar: OS ATOS SÃO CONTRA O AUMENTO. CONTRA O AUMENTO. E todos os apoiadores insistem em afirmar que não é só pelos R$0,20.
20/06/2013 - 08:38hs - Victória Felix
Não, não são só por R$ 0,20 centavos! É um agrupamento de fatores que nos levam às ruas, que de fato nos faz tomar coragem e sair de casa dispostos a mudar a cara do Brasil. E não, a responsabilidade não é apenas do PT a responsabilidade é de todos, tanto de quem vota, tanto de quem se elege. O que falta são políticos honestos DIGNOS de nosso voto. O movimento não tem nenhum cunho político, somente, o interesse em mostrar a verdade de como se encontra esse país: desolado e totalmente desgovernado. Todo mundo aqui defende uma ideia, você Debora defendeu a de que tudo se resume no aumento da tarifa do transporte, mas nós aqui do outro lado que REALMENTE saímos de casa e enfrentamos policiais bombardeando a reveria, sabemos que lutamos não só pelo congelamento dos subsídios, mas por todas as impunidades que se encontram no Brasil que de fato todos, incluindo você, se recusam a perceber.
20/06/2013 - 07:40hs - nob
É evidente que os atos, por ora, são contra o aumento, é só acompanhar os protestos e escutar as palavras de ordem. Mas não são só contra isso, e nisso a mídia não está errada, me desculpe. É de uma ingenuidade ENORME assumir que todos que foram as ruas são aliados do MPL, quando tem muito liberal, libertário e gente que nunca anda de ônibus participando. O movimento não foi de 5.000 para centenas de milhares de manifestantes do dia pra noite, no Brasil inteiro, por causa da tarifa, foi a truculência policial que despertou a indignação generalizada do brasileiro (e isso se deu no FACEBOOK). O povo adotou o aumento da tarifa como causa simbólica, para mostrar o poder do povo, mas ninguém se manifesta sobre os próximos passos (que vai da liberalização do setor de transportes até a estatização), porquê é um assunto muito mais complexo. O paulistano que foi as ruas não se identifica com as soluções (utópicas e mal pensadas) da extrema esquerda, nunca se identificou. Enquanto isso, o MPL se aproveita do movimento que clama a diminuição da tarifa para impor o congelamento da mesma em portas fechadas com o prefeito Haddad, como se também fosse uma demanda da população (e beirando o terrorismo, quando chamam o vandalismo da minoria de revolta popular). Ah, são agentes infiltrados da polícia? Por favor, né. Se vão assumir as conversas, têm que também assumir responsabilidade pelas repercussões dos atos. Sábado teremos passeata contra a PEC 37, organizada pelo Dia do Basta, e aí veremos quem realmente está tendando descaracterizar o movimento para os interesses próprios.
20/06/2013 - 00:10hs - Fernando R.
A corrupção não aumentou, você é que não percebia porque só lê a veja.
19/06/2013 - 21:53hs - Norberto Alex
É CONTRA O AUMENTO...AUMENTO DA CORRUPÇÃO DOS ÚLTIMOS 13 ANOS DE PT
19/06/2013 - 18:51hs - ronaldo alencar
o povo reclama da saúde que está uma maravilha, da educação que superestima e paga bem seus professores, da violência feita apesar dos altos salários dos profissionais de segurança, da saúde jogando ambulâncias pagas por nós no lixo ou esquecidas nos pátios, dos estádios que chegam a custar cinco vezes ou mais dos orçamentos iniciais, das doações absurdas feitas com dinheiro que falta no Brasil, hospital na palestina, corrupção e impunidade. O POVO ESTÁ RECLAMANDO DE BARRIGA CHEIA. Parabéns Debora !!!!!
19/06/2013 - 18:44hs - tem razão. a autora está de parabéns !!! o brasil está uma maravilha e o povo reclama sem saber do q
tem razão. a autora está de parabéns !!! o brasil está uma maravilha e o povo reclama sem saber do quê.
19/06/2013 - 18:35hs - Marília Assunção
Protestos cujo líder é apontado pela maioria como sendo o Facebook; que têm definição anárquica; agressivos contra outros cidadãos até mais desprovidos; vandalizantes e intimidatórios da liberdade de ir e vir, de imprensa e de partidos que se assumem, preferindo que tome conta a manobra de agitadores infiltrados, também me lembram períodos negros da história brasileira. Contra eles me insurgi organizadamente, fosse em ações clandestinas, fosse na rua, vestindo a camisa e de cara limpa, sem máscara, lutando para avançar na história política brasileira. Por esta razão, como quem queimou a bandeira de países que exploravam o Brasil, e não a do próprio Brasil, ouso perguntar: Estamos melhores ou piores que há 20 anos? Quem ganha com a imagem de caos? Para reduzir a tarifa o caminho é quebrar o ônibus e ferir inocentes? Rir um kkkkkk, digitar palavrões e compartilhar cartazes virtuais nos fazem realmente mais partícipes das mudanças estruturais que amargamos na espera há muito, mas que eclodiram inexplicavemente só agora? Ou foi acomodação covarde mesmo que tivemos esse tempo todo pré-Facebook? É coincidência que haja visibilidade externa para irmos às ruas quebrar geral? Ou a margem para tanta mobilização de hoje é fruto das conquistas democráticas daqueles períodos amargos (de cara limpa) que citei? E o que importa de fato: tudo isso fará mesmo você escolher melhor nas próximas eleições ou é só pra dizer que participou? Logo logo, quando a fumaça abaixar, você vai votar mais consciente? Vai cobrar direto do seu eleito que ele defenda seus direitos na saúde, educação, transporte, cidadania e segurança? Que aprove a tarifa adequada? Que ele respeite o plano diretor da sua cidade? Que ele gaste o certo e o justo com o serviço público? Então, a partir daí, você também não vai dar o cano nos outros, né? Não vai oferecer propina. Vai pagar suas multas. Vai dirigir com carteira de habilitação e jamais embriagado, claro. Respeitará o idoso e a criança sempre. Baterá ponto sem reclamar. Irá às aulas e nunca colará, inclusive da internet. Ou um governo precisará te impor este papel, o de cidadão? Marília Assunção
19/06/2013 - 18:33hs - Decio Vaz
parabéns pela lucidez, e tbm por olhar a coisa toda desse belo ponto de vista
19/06/2013 - 18:14hs - Ludmila G Bezerra
Interessantes considerações, porém a autora propaga a sua verdade como sendo absoluta, ignorando os milhões que invadiram as ruas brasileiras. Para mim, definitivamente não é pelos 0,20 centavos!
19/06/2013 - 17:58hs - Jorge Puga de A. LIma
Esse discurso, embora muito correto, a esta altura é inútil. O movimento já está nas mãos da direita golpista, com o apoio da mídia. Basta ver os vídeos que estão sendo compartilhados na internet para verificar que não se trata de conteúdo espontâneo e fruto da criatividade dos manifestantes. Trata-se de conteúdo feito profissionalmente, com técnicas de marketing, e que foca a questão no governo no PT. Eles estão preparando um ambiente onde sequer a Globo tenha força para brigar por liberdade (uma vez que o movimento está também desacreditando a imprensa), o Ministério Público com poder investigativo nas mãos sem fiscalização alguma (uma vez que convenceram as pessoas de que a PEC37 é a favor da corrupção), partidos desacreditados junto ao povo como instrumento de representação etc. Ou seja, o melhor ambiente para implementar um regime de direita autoritário mas disfarçado de democrático porque será resultado de uma mobilização nacional. Só posso dizer uma coisa: INOCENTES ÚTEIS.
19/06/2013 - 17:13hs - yumi
excelente! coloca em precisas palavras um sentimento difícil de expressar.
19/06/2013 - 16:47hs - Thiago de Araújo
Muito bom, mas noto a cada cobertura que muitas frentes estão dizendo que a tarifa é só o começo. Ou seja, há uma diluição da demanda inicial, e creio que é aí que repousa o perigo. O MPL já perdeu o controle, de uma maneira geral, então é preciso ficar atento ao que vem a seguir. Quem quer tudo, pode não ter nada.
19/06/2013 - 16:07hs - Gisele
As manifestações estão ocorrendo por TUDO, é fato, ainda que que tenha começado pelo preço das passagens. Basta perguntar para as pessoas que estão indo às ruas.
19/06/2013 - 15:28hs - Carlos Augusto de Medeiros
Bom texto Débora. Senti falta do papel que a mídia alternativa, finalmente, mostrou que possui. Observe que se não fossem as redes sociais, dificilmente se conseguiria um amplo movimento sem bandeiras. Considere ainda, a insistência na politização dos atos, sem contudo, politizar-lhes partidariamente. Não fossem essas mídias, não conseguiriamos sequer audiência. Não nos esqueçamos do ridículo papel do PT nessa história toda: com base, lá na origem, nos movimentos sociais, agora, no poder, esqueceu-se do movimento legitimamente social.
19/06/2013 - 15:17hs - Wanderley Ignacio da Silva
Pela criação de uma Plataforma Digital ( já que estamos no Século XXI , vamos pensar grande e p/ frente ! ! ) com viés de Rede Social compatível com o Voto Pessoal de cada Cidadão em cada uma das Proposições de um Novo Poder Legislativo ... Não quero que ninguém me represente ; quero me representar ! ! !
19/06/2013 - 14:22hs - Alê M.
Deixa eu botar a cara a tapa. 1. Não é de hoje que vejo gente correndo atras de significados para isso tudo. É por 20 centavos. Não é por 20 centavos. Tem foco, e isso é bom. Não tem foco, e isso é bom. É politizada. Não é politizada. É horizontal. Não é horizontal. Não é só significado que falta... é auto-critica. 2. A tática da grande mídia não mudou. É a mesma desde sempre. Bate quando (acha que) pode bater. Assopra quando não tem mais para onde ir. Foi assim no processo que nos levou a ditadura e no processo que nos tirou dela. A grande mídia colocou e tirou Collor no poder. A única conseqüência previsível disso tudo é que, no final, a grande mídia vai aparecer bem na foto. Não concorda? Você já não concordava antes... não conta! 3. Jabor, Pondé, Veja e sentinelas da despolitização de plantão só pegaram carona do que era, e ainda é, falado pela moçada. A descaracterização é produto da rua. Nasceu lá (E você ainda acha que é por 20 centavos). Tiro no pé. Agora assopra!!! 4. Novamente... o discurso de falta de foco não vem da mídia. Vem do movimento. Vendeu isso como algo positivo e, derrepente, tá descobrindo que não é assim. Ou não. Horizontal, sem liderança, apolitico e apartidario. Né? E outra... quem foi que te disse que prefeito recuar é vitória? Tem certeza? Tem consciência do real impacto desse recuo na sua vida? Derrepente, agora sim, não é só 20 centavos... 5. Enfim, concordamos! Jabor, Pondé, Reinaldo Azevedo e similares são imbecis que se levam a sério demais, simples assim. Acrescento que são imbecis que falam para os mesmos imbecis de sempre. E alguns deles, lamento, estão na rua. É preciso ter isso bem claro!!! 6. PM dar porrada não é novidade para quem está na rua a mais tempo. Mas porrada no fiofó dos outros é sempre refresco! Vale para a imprensa e, pq não, vale para o playboy que apanhou pela primeira vez nada vida. Aliás, acho que a PM foi a gasolina que botou fogo no movimento. 7. Imprensa não defende liberdade de expressão. Defende monopolio de expressão. 8. Mais ou menos. Tudo isso faria mais sentido se fosse mais homogêneo. O Thor Batista, ali, só serve para engordar a estatística. É isso que vale? Dizer que eram mais 1 milhão na Paulista? Falta qualidade... falta unidade. 9. Apolitico é uma falácia. Isso não existe. Um movimento apolitico e apartidario é o caminho mais curto para um regime totalitário. 10. Os atos já não mais contra o aumento. Não adianta espernear. Não adianta, agora, querer organizar a fila. O estrago tá feito. O pessoal que tá ali não tá ali por causa de 20 centavos. Tá ali por causa de tudo. Ou de nada. O tiro saiu pela culatra!
19/06/2013 - 13:59hs - kurt stabile
A dispolitizaçao é grande. Como discutir politica sem partido? Como fazer movimentos sindicais sem sindicato? Parece obvia a manipulaçao do movimento pela imprensa, o governo e a policia. A juventude acredita que as redes sociais são imparciais. Mas não são.Pior ainda é acreditar na imprensa que recebe todos os anos bilhões de reais do estado! Eles só estão preocupados em continuar recebendo enquento nós pagamos!
19/06/2013 - 13:43hs - Sérgio Jungles Júnior
Creio sinceramente que a senhora Débora Prado deveria refletir um pouco mais sobre alguns pontos citados no seu artigo. Dois pontos bem falhos levantados são: Seu enfoque quanto a não perder o foco, dando um enfase a tarifa. Segundo, acredito sinceramente que não existir nenhum tipo de bandeira partidária é deve persistir. Pois -de maneira simplista, como a senhora fez - é fato que em grande maioria os políticos eleitos se prostituem por dinheiro ou apoio político. Parece-me que você fez uma análise muito superficial do evento. Por fim, recomendo que leia sobre o cisne negro e centésimo macaco.
19/06/2013 - 12:23hs - Renato Dias
Defendeu o MST na 5a linha. Nem precisa ler o resto.
19/06/2013 - 10:22hs - Diego Marmentini
Excelente artigo! Acompanhei ontem a TV Senado, e o pronunciamento da presidente também. O bando de oportunistas que subiram no púlpito era gigante; todos elogiam as manifestações, isso me dá raiva!!!!!!!!!!! Deviam ficar quietos!!!!!!! É o ato mais sábio que fariam, porque a população demonstra que nossas instituições faliram, que nossos representantes não tem o que dizer... CONTINUEMOS COM AS MANIFESTAÇÕES!!!
19/06/2013 - 09:57hs - Elaine
Parabéns pelo artigo
19/06/2013 - 09:31hs - Andrea Sampaio
Excelente análise.
19/06/2013 - 09:08hs - alexandra
Le Mond
19/06/2013 - 07:57hs - Geórgia Labuto
E qual o problema das manifestações serem por mais do que o simples aumento de R$ 0,20? Qual o problema do povo se ver encorajado a lutar por coisas que tem se calado, apesar de sofres as consequências? E por que não enumerá-las e gerar um debate político-social? 1. Mudanças no sistema educacional público no Brasil, para que ele cumpra com o dever de oferecer educação de qualidade a TODOS os cidadãos, independentemente de classe social (porque alguns se deixam extorquir e pagam novamente pela educação dos seus filhos? porque os governos nos deixaram a míngua!!!). 10% DO PIB NA EDUCAÇÃO PÚBLICA JÁ!!! Assim, podemos mudar o Brasil daqui a uma geração. 2. Saúde de qualidade e gratuíta e para todos, também independente de classe social. Porque a classe média desonera o estado livrando-o de suas obrigações e mesmo assim o sistema de saúde pública não atende aqueles que não tem recursos para se livrar do que é péssimo para entrar no que é uma extorsão? 3. Segurança, urbanização, transporte público de qualidade. Porque não podemos cobrar do estado brasileiro o que é seu dever e nos é de direito? Porque devemos permitir que continuem nos extorquindo com impostos exorbitantes, sobre itens de sobrevivência como a cesta básica e medicamentos, inclusive e devemos nos envergonhar do não é só o aumento? Porque não podemos exercer nossa cidadania numa oportunidade que nos foi aberta por um movimento apartidário?
19/06/2013 - 07:28hs - carlos
Otimo artigo. Tenho participado das passeatas com meu filho aqui no Rio de Janeiro e tanto nas passeatas quanto nas plenárias os estudantes sabem exatamente o que estão fazendo e o que estão querendo. Conseguimos mexer com os políticos de plantão, agora é seguir em frente. Não se iludam, isto vai mais longe do que se imagina. Estamos cansados de tanta coisa errada mas somos incansáveis para melhorarmos o Brasil. Aguardem e participem. Em tempo: sem querer misturar as coisa, os sindicatos são uma vergonha pois em nenhum momento criticam nenhum governo, principalmente o federal. Isto é lógico pois fazem parte dos governos. Parabéns à OAB que tem acompanhado as paseatas aqui no Rio de Janeiro.
19/06/2013 - 05:23hs - Joabe Henrique
Mais um texto fraco, eu faço melhor que isso. Todos sabemos que a questão é bem mais profunda,não é só sobre o aumento das passagens, o povo está de olho tanto na PEC 37, como nos abusos dos gastos com estádios em comparação com a falta dos serviços públicos prestados à população. A autora quis colocar goela abaixo que é sobre o aumento, não tem desculpa o seu erro porque ja estamos no dia 19/06, deu tempo suficiente para você refletir melhor. Eu só peço que a diplomatique aprofunde a questão de maneira sensata e filtre melhor os artigos porque esse texto foi bem abaixo da média.
19/06/2013 - 02:37hs - Matheus Casagrande
Débora, adorei o texto. Porém uma questão me inquietou. Ali no item 6, você acredita mesmo que a preocupação da Folha de S.Paulo foi com a jornalista alvejada no olho e com os outros profissionais feridos? Eu acredito que a singela mudança de postura tem explicação nas demonstrações de insatisfação com a postura da imprensa frente às manifestações. A Folha pode ter vínculos, mas ela ainda precisa se preocupar em garantir seu número de assinaturas e venda nas bancas. A edição de hoje da Folha mostra uma cobertura ampla e aprofundada. Talvez o jornal não se preocupe mesmo com a violência policial que ninguém vê, mas senti que o jornal tentou até entender o que está acontecendo, embora não vá conseguir. Aliás, ninguém vai. Alguns vão poder entender quando tudo tiver passado. Quanto aos outros itens, não vou dizer nada, pois estou de acordo contigo. Parabéns pelo texto! Abraços.
18/06/2013 - 22:57hs - Fabricio Correia
Excelente análise! Parabéns pelos apontamentos. Sendo favorável ou não, neste momento os leitores precisam refletir (e se preocupar) de que não podemos viver um modismo, temos que seguir com uma revolução intelectual e de valores.
18/06/2013 - 22:32hs - Isabel
Isso é o que você quer ... Mas sabe que não é verdade . O fato de você ser jornalista não te faz dona da verdade. O que vc está tentando fazer como dona de um canal de comunicacao (que é a sua pagina) é colocar a SUA OPINIAO , só isso.
18/06/2013 - 21:03hs - Tamara Takaoka
Obrigada!!!!!!!!!! É a primeira vez que ouço/leio argumentos que se preocupa, em fazer sentido, ao invés de naturalizar/carnavalizar em relação às manifestações reivindicam tudo
18/06/2013 - 20:59hs - Isac Abrão
Com todo respeito a srta, se você tirar essas reinvidações reaças do movimento, como diminuição de impostos ou prisão para mensaleiros, O MOVIMENTO PERDE TODA SUA FORÇA. Oras, o que tem chamado atenção é que o cidadão normal, da classe média, o reaça tem participado. Quer tirar ele fora e manter o movimento puro? Tudo bem, mas depois não reclame quando os partidos de esquerda não conseguirem mais de 1% nas eleições presidenciais.
18/06/2013 - 18:55hs - cassiane tomilhero
Olá, Débora Muito obrigada por teu texto. Passei o dia consternada de tanta informação, tanta intolerância e tanta babaquice. Você foi cirúrgica na questão e representa pra mim um pensamento de extremo bom senso. grata
18/06/2013 - 18:44hs - Fabrício Machado
chega a ser engraçada a forma como você responsabiliza o PT no fim do texto dizendo com muita dor e sacrifício que o PT só errou naquilo que fez quando fez como se fosse PSDB....huahauahua...esse partidarismo de quem, como eu, abanou muita bandeirinha vermelha nas esquinas não cola pra gurizada, por incrivel que pareça eles enxergam com clareza as canalhices da direita histórica e tradicional, mas também enxergam as canalhices do PT...a senhorita deve ter uns 40 anos mais ou menos...tá passada, a onda é outra.
18/06/2013 - 16:41hs - marilia
excelente
18/06/2013 - 16:39hs - Jhair Ferreira
Escrevi essa reflexão e queria compartilha essa outra visão sobre os acontecimentos A Rua é NÃO a maior Arquibancada do Brasil - Sobre o uso dessa frase oriunda de um propaganda de veículos (chega a ser irônico..rs) Vocês não foram às ruas para só ver, torcer para os manifestantes ou gritar sem sair do lugar. A rua foi mais que um uma arquibancada, mais que o próprio campo de jogo, quadra, ou pista de corrida... Houve também uma luta pelo espaço público. Quinta-feira, de um lado o governador falando: Aqui vocês não passam, de outro, milhares de cidadãos querendo usar o pouco do espaço que lhes é tirado. Segunda-feira 17/06 vocês venceram. Tomaram a cidade. Mostraram para os governantes que essa cidade é de vocês. Fizeram bonito até então. Grandes avenidas dos dois maiores centro financeiros foram tomadas. Lojas e shoppings fecharam porque estavam de olhos vendados com medo dos vândalos. Vândalos que cantavam, batucavam e dançavam. Vândalos com seus filhos no colo, com seus pais e seus avôs. Vândalos que fizeram jornalistas e emissoras se desculparem em rede nacional. Mutos estavam ali pro diversas causas. Não é só por R$ 0,20 centavos, diziam. Mas vamos imaginar que sejam. Pois se conseguirem revogar o aumento, isso fará com que percebam que vocês podem e consigam mais. Consigam o que é de direito de vocês. Não parem, não fiquem na arquibancada. Essa cidade é sua. Esse país é de vocês Por que a rua é o maior campo de batalha que vocês tem.
Envie o seu comentário
Nome:
E-mail:
Comentário:
  Digite o código da imagem ao lado:    
 
Imprimir  |  E-mail  |  RSS
LOGIN:  
SENHA:
Esqueci a senha
 
HOME    |    QUEM SOMOS    |    RSS    |    CONTATO
Le Monde Diplomatique Brasil - Copyleft - Rua Araújo, 124 - Centro - São Paulo - SP - Brasil - CEP: 01220-020 - Fone: (11) 2174-2005
A edição eletrônica de Le Monde Diplomatique é regida pelos princípios do conhecimento compartilhado (copyleft), que visam estimular a ampla circulação de idéias e produtos culturais. A leitura e reprodução dos textos é livre, no caso de publicações não-comerciais. A única exceção são os artigos da edição mensal mais recente. A citação da fonte é bem-vinda. Mais informações sobre as licenças de conhecimento compartilhado podem ser obtidas na página brasileira da Creative Commons